Janeiro 18, 2021

Por uma nova era com mais espontaneidade

Hoje é apenas o quarto dia de mais uma nova década. É oportuno desejarmos, antes de começarmos a devanear sobre como será este período, uma ótima estadia neste espaço de tempo que ainda é embrionário para todos, independentemente de latitude, credo, bolso ou pílulas de uso contínuo. Portando, que tenham, todos os seres que respiram (inclusos os que estão hoje assistidos por ventiladores mecânicos nas UTI´s), ao menos um início de ano próspero, saudável, feliz e em paz na medida do possível.

Todo (re)começo de era, de ano principalmente, acaba redundando nas inabaláveis tradições de votos. São esperados até por pessoas que mal conhecemos, nos saudando nas ruas (ou no mundo virtual, atualizando!) ou dos amigos e queridos, com palavras de otimismo e esperança abundantes num futuro promissor.

Há algo de extraordinário nisso? Claro que não. Trata-se de mais um ritual como muitos mundo afora que podem ou não estar relacionados a contextos espirituais e temporais. Sem este perfil, consideramos também um ato de boa educação quando chegam mesmo dos mais céticos ou materialistas; é, como disse, uma ação social que se expressa na tradição quase cega no modo individual autômato, à medida que vamos encontrando as pessoas no caminho da virada do ano.

Fora estas, ou mesmo entremeadas nestas carreiras polarizadas entre o espiritual e o carnal, vemos homens e mulheres que se projetam ao futuro em meio a superstições, simpatias, cores de roupas, ondas do mar, comidas, músicas, cachoeiras. São também respeitáveis quando essa energia toda desse grupo se canaliza ao verdadeiro bem comum. Não há mal nenhum em estabelecer, coletiva ou singularmente, rituais ‘purificadores’ e energéticos. Agir pelo bem e em nome dele causa mais bom impacto ainda no plano real, afirma os que creem em algo.

No entanto, não temos mais a ingenuidade de acreditar piamente que, daqui para frente, tudo vai ser diferente na realidade só porque o relógio fez seu papel e mudou da zero hora e zero minuto para um segundo a mais. Essa mutação dos ponteiros acontece à revelia, já aconteceu zilhões de vezes que nem sei calcular e, se nenhuma bomba atômica nos atingir globalmente, continuará a acontecer até o juízo final, quando e se houver.

Penso que ‘fazer votos’ de prosperidade apenas por tradição já era. O importante mesmo é se ater, via consciência crítica e emocional, ao que somos, para que servimos e qual nosso impacto com objetivo de que tais questões nos deem alguma clarividência racional de quanto podemos fazer para melhorar o que nos orbita e orbitamos.

A literatura pode fazer a diferença para atingirmos outro nível de vivência

A literatura pode fazer a diferença para atingirmos outro nível de vivência
Pixabay/Reprodução

A literatura e a música podem fazer a diferença nessa nova remodelagem de saudações. Por aqui, em língua portuguesa, não faltam textos encantadores, belíssimos, sensíveis, apaixonantes, arrebatadores enfim, para que atinjamos outro nível de vivência e possamos, no próximo ano, não só nos atermos à virada dos ponteiros de um simples marcador de tempo mas fazermos, de fato, alguma diferença.

Há a necessidade merecida de fazermos as coisas fluírem melhor. Termino com Geraldo Vandré e um trecho de sua canção mais conhecida ‘Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores’: quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

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