Março 2, 2021

Matheus Campos, de “As Five”, denuncia racismo sofrido de motorista de aplicativo, e desabafa: “É humilhante passar por isso”

Semanas atrás, Matheus Campos, intérprete de Lito na série “As Five”, denunciou o racismo que sofreu de um motorista por aplicativo, em São Paulo. Nesta segunda-feira (30), o ator revelou detalhes do episódio em conversa com a colunista do jornal O Globo, Patrícia Kogut, e relatou como teve dificuldades em dialogar com a empresa quanto às procedências sobre o caso.

Segundo ele, infelizmente, não é a primeira vez que isso lhe acontece. “Foi uma ação não muito surpreendente para mim porque já aconteceu seguidas vezes. Eu moro na Avenida Brigadeiro, em São Paulo, então, é difícil para os carros pararem. Assim que saí do prédio e acenei para o motorista me enxergar, ele acelerou o carro e se distanciou de mim. Eu fui seguindo pela calçada e ele, pela avenida”, recordou.

Matheus Campos e Heslaine Vieira vivem os fofinhos Lito e Ellen em “As Five”. (Foto: Reprodução/Globoplay)

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Mesmo já tendo vivenciado isso outras vezes, o ator não esconde o quanto é doloroso lidar com tais situações. “Por mais que a gente fale do racismo cotidiano, a gente nunca está preparado. É humilhante passar por isso. Por mais que a gente fale, é sempre dolorido”, lamentou.

O episódio aconteceu em 16 de novembro, e Matheus desabafou pelo Instagram no último dia 19. “A gente sempre acha que tá preparado pro próximo golpe, mas eu não estava. Fiquei me perguntando, será que ele não me viu? Agora percebo como eu fui ingênuo em cogitar essa opção. Me senti humilhado e vulnerável, só queria chegar no meu destino o mais rápido possível. Fiquei com vergonha, torcendo para que ninguém tivesse percebido a situação, enquanto assistia ao carro que eu chamei partir no horizonte”, escreveu ele. Confira:

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Matheus até recorreu à empresa para reportar o caso, contudo, ficou insatisfeito pela forma como a questão foi tratada. “Não gostei de como se deu o contato da empresa. O atendente pediu que eu fizesse a denúncia contra o motorista, mas eu não acho que as pessoas que prestam um serviço tão precário têm que ser demitidas. Sou a favor da orientação, da instrução. Eu quis saber se eles iam demitir o funcionário. Eles disseram que não empregavam ninguém, que só faziam parcerias”, comentou.

Isso fez com que o artista se preocupasse com tudo o que essa situação acarretaria, incluindo o possível desemprego do motorista. “Colocar mais uma pessoa desempregada em São Paulo passa a ser um problema de todos nós. Eu queria que um diálogo com esse motorista fosse criado para que ele fosse qualificado. Não é porque ele foi racista comigo que quero punição”, explicou Campos.

Lito e Anderson são uns dos personagem do spin-off de “Malhação: Viva a Diferença”. (Foto: Globo/Fábio Rocha)

“Eles registraram minha reclamação, houve o diálogo, mas eu queria saber o que de fato seria feito com ele. Eles disseram que a ação era sigilosa. Eu decidi conversar com alguns amigos para entender. E por enquanto o procedimento está parado”, adicionou.

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Matheus ainda recordou outro episódio de racismo, quando um motorista o associou com a periferia apenas por sua cor. “Em carros de aplicativo, é comum acontecer preconceito. Em outra ocasião, o motorista me perguntou se eu estava indo a uma região periférica da cidade. Eu disse que não, mas que, se estivesse, isso não deveria ser levado em consideração”, lembrou ele.

“Ele só me perguntou isso porque associou minha cor à periferia. Claro que entra o medo com que todos vivemos, mas entram preconceito e racismo, obviamente. O racismo é um problema nosso de sociedade, de Brasil. Nós, como nação, temos traumas que não conseguimos resolver”, desabafou. A coluna de Patrícia Kogut tentou contato com a empresa Uber, mas não obteve resposta.

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