Novembro 24, 2020

EUA: Juiz na crise eleitoral de 2000 pede unificação de leis eleitorais

Juiz aposentado Robert Rosenberg olha cédula de votação, na Flórida, em 2000 RHONA WISE/ EFE O agora aposentado Robert Rosenberg, que há 20 anos era juiz no condado de Broward, na...
Juiz aposentado Robert Rosenberg olha cédula de votação, na Flórida, em 2000

Juiz aposentado Robert Rosenberg olha cédula de votação, na Flórida, em 2000
RHONA WISE/ EFE

O agora aposentado Robert Rosenberg, que há 20 anos era juiz no condado de Broward, na Flórida, e tornou-se protagonista de uma icônica foto durante as eleições mais polêmicas da história dos Estados Unidos, disputadas entre o republicano George W. Bush e o democrata Al Gore, acredita que o país deveria unificar as leis eleitorais para evitar “traumas” como os daquele pleito e os que podem acontecer agora.

Hoje com 78 anos, Rosenberg ficou famoso há 20 anos por uma foto na qual aparecia verificando uma cédula com uma lupa durante o processo de recontagem de votos no condado, que fica perto da Miami.

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Em entrevista à Agência Efe, ele lamenta que os EUA estejam vivendo novamente dias de incerteza por causa de uma eleição que deveria ter o processo juridicamente simplificado.

“Não há dúvida de que a situação hoje está gerando muita angústia entre os cidadãos. É lamentável”, disse o ex-juiz.

Em 2000, a Flórida virou centro das notícias mundiais, pois o resultado final das eleições presidenciais, que apontaram vitória apertada de Bush, foi contestado por Gore, que pediu recontagem. A campanha republicana também apresentou ação judicial. O processo de declaração do vencedor foi adiado por semanas, já que a lei estadual exigia que cada voto fosse contado à mão.

Agora, Rosenberg está preocupado com a grande possibilidade de um cenário pior acontecer na disputa entre o atual presidente, o republicano Donald Trump, e o candidato democrata Joe Biden.

“Em vários níveis é pior do que o que vivemos em 2000, porque envolve vários estados, o que o torna particularmente complicado, já que cada estado do país tem leis eleitorais diferentes. É algo que seria aconselhável unificar, especialmente em termos de datas”, argumentou.

“Não pode ocorrer que cada estado tenha uma legislação diferente em termos de quando os votos (por correio) podem chegar. Para mim, o ideal seria estabelecer o dia da eleição como o prazo final. Na situação atual, em alguns estados a regra é que as cédulas ausentes são contadas, desde que tenham sido enviadas antes do fechamento das urnas, por exemplo. Isso cria muita confusão”, acrescentou.

Este é o caso, por exemplo, do estado de Nevada, onde apenas 87% dos votos haviam sido contabilizados até o meio-dia de quinta-feira, e a diferença entre os candidatos era de um ponto percentual a favor de Biden.

Rosenberg também acredita que a maneira pela qual os votos são contados deveria ser unificada. Em estados como a Pensilvânia, que também não conseguiu ainda definir o resultado eleitoral, não se pode começar a somar os votos até o fechamento das urnas.

Ontem, a equipe de campanha de Trump entrou com processos nos estados de Pensilvânia, Michigan e Geórgia, exigindo mais acesso à apuração e apresentando reclamações contra o processo de aceitação de votos pelo correio. E hoje ele o fez em Nevada.

“Essas diferenças abrem potencialmente a porta para processos judiciais que poderiam mais uma vez atrasar a nomeação do próximo presidente e criar traumas para um país que, ao contrário do que vivemos há 20 anos, está dividido ao meio politicamente. Isso deixaria uma profunda desconfiança em relação ao sistema eleitoral, que é o alicerce de nossa democracia”, declarou.

Lições do ano 2000

Rosenberg lembrou do que viveu em 2000 no processo de recontagem manual. “Não foi uma situação fácil. Ninguém gosta de trabalhar das 8h às 23h olhando papéis e comendo apenas macarrão com molho de tomate”, disse o ex-juiz, com bom humor.

Ele também contou que a equipe de apuração não se sentia “particularmente pressionada naquela época, porque não havia tempo para perceber como o país estava vivendo a situação”.

“Percebi que estávamos no centro das atenções quando meus filhos me disseram que tinham me visto na televisão”, afirmou.

Foto icônica de Rosenberg usado lupa

Foto icônica de Rosenberg usado lupa
RHONA WISE/ EFE

Sobre a foto que o fez entrar para a história, ele revelou que foi captado com lupa na mão porque tem “muito astigmatismo em um só olho”.

“Eu tinha duas lupas, e em um momento peguei uma, e a imprensa chegou e adorou o que viu”, contou.

Aposentado desde 2012, Rosenberg está satisfeito com o fato de que a contagem eleitoral na Flórida tenha funcionado muito bem neste pleito.

“A maneira como era feita antes era rudimentar, e a maioria dos problemas que ocorreram em 2000 foram resultado de erro humano. Coisas absurdas aconteceram porque algumas das máquinas (de contagem) não estavam devidamente preparadas, por isso não funcionaram como deveriam. Além disso, alguns eleitores não utilizaram adequadamente as cédulas (do tipo “borboleta”, que devem ser furadas – alguns candidatos receberam votos que seriam de outros por causa de furos em locais errados)”, explicou.

Para Rosenberg, a Flórida aprendeu a lição de 2000, e isso é “um bom sinal de que o resto do país também pode aprender com o que está acontecendo agora”.

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