Dezembro 1, 2020

Trump põe em xeque a confiança dos americanos na democracia

Nunca antes na história dos Estados Unidos um presidente da República pôs em xeque a confiança popular no sistema eleitoral e na própria democracia como Donald Trump, ontem, no primeiro dos três debates que travará com o senador Joe Biden, candidato do Partido Democrata, e vice de Barack Obama durante 8 anos.

Trump denunciou que as eleições de novembro próximo estão sendo fraudadas para impedi-lo de se reeleger, culpou os democratas e recusou-se a antecipar sua posição caso seja derrotado. Biden afirmou que aceitará o resultado, qualquer um. Trump calou-se mesmo quando provocado mais de uma vez.

Pesquisa da Rede de Televisão CBS apontou Biden como vencedor do debate – 48% a 41%. A diferença de sete pontos percentuais é a mesma das pesquisas mais recentes de intenção de voto. Na prática, isso pode significar que o debate não mexeu com a pequena parcela dos eleitores que ainda se dizem indecisos.

Seguramente, foi o pior debate entre candidatos à presidência dos Estados Unidos desde o primeiro transmitido pela televisão entre John Kennedy (Democrata) e Richard Nixon (Republicano) no início dos anos 60 do século passado. Nixon perdeu. Kennedy não completou o mandato porque morreu assassinado a tiros.

Trump comportou-se como um moleque de rua disposto a ganhar a briga aos gritos ou na mão. Biden, como um senhor respeitável e idoso, desacostumado com o estilo agressivo do adversário. Mas, em alguns momentos, Biden também bateu em Trump, a quem acusou de racismo, chamou de palhaço e mandou fechar a boca.

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Durante uma hora e meia, enquanto Biden falava olhando para a câmera, Trump falava olhando para ele. Interrompeu-o o tanto que pôde, e quando advertido pelo mediador do debate, bateu boca com o mediador. Poucas vezes, Biden conseguiu completar seu raciocínio. E perdeu as melhores chances de encurralar Trump.

Uma delas foi quando o mediador perguntou sobre quanto cada um pagou de Imposto de Renda no ano passado. Biden respondeu que pagou US$ 299,3 mil. Trump negou-se a responder. Segundo o jornal The New York Times, Trump pagou apenas US$ 750 em 2016 e 2017, menos do que um professor de ensino médio.

O debate de pouco serviu para que os americanos façam uma ideia de como será um segundo governo Trump ou o primeiro de Biden. O Brasil entrou em cena por causa da devastação da Amazônia. Biden prometeu US$ 20 bilhões para combater a devastação e disse que haverá retaliações se ela continuar.

Trump, de quem o presidente Jair Bolsonaro se diz amigo e admirador, preferiu o silêncio.

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